sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Minha conversão

Para quem ainda não sabe, sou uma SUD, isso quer dizer membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Muitos nos chamam pelo apelido de mórmons. Somos chamados assim porque além da Bíblia temos o Livro de Mórmon como escritura sagrada.
Ouvi falar da Igreja, pela primeira vez, através de minha prima Karla, de Anápolis. Eu tinha 17 anos. Ela foi membro por algum tempo. Naquela época não tive contato com a Igreja e nem fazia ideia do que se tratava.

Nas férias de verão de 1996, estava em Anápolis novamente (dos 17 aos 23 anos eu ía quase todos os anos passar as férias lá). Minhas primas frequentavam uma igreja evangélica. Elas tinham uma bíblia e senti desejo de comprar uma pra mim. Comprei quando voltei pra Taquara. Fazia muito tempo que eu não lia a bíblia. Na verdade acho que nunca li pra valer, somente alguns trechos enquanto fazia catequese e crisma na igreja católica. Comecei a ler Apocalipse. Sempre fui fascinada por profecias que estavam se cumprindo ou seriam cumpridas em nossos dias. No início achei difícil compreender o Apocalipse por causa de tanta simbologia. Mas dava pra ver que esta época prometia, em termos de guerras, doenças, catástrofes naturais.

Alguns anos antes, quando eu tinha 14 ou 15 anos, algo inesquecível aconteceu comigo . Já morávamos no local que moro agora, só que havia um chalé aqui. Eu estava lavando minhas roupas e pensando na vida. De repente, algo estranho aconteceu. Tive uma sensação fortíssima de que algo aconteceria na minha vida. Era como se eu estivesse sendo preparada pra fazer algo importante nessa terra, ou ser alguém importante, sei lá! Só sei que tive essa fortíssima sensação! Aquela experiência jamais me abandonou.

Voltando a 1996... eu nem estava interessada em religião. Era católica não praticante, tinha uma vida badalada, com muitos amigos, cheia de festas para ir. Faltava um ano e meio para me formar na faculdade, e estudava inglês no FISK. Certo dia, numa aula de conversação, apareceram dois missionários americanos para nos auxiliar. A proprietária do curso é membro inativa. Apesar de não frequentar há vários anos,  ela nutria um bom sentimento pela Igreja e tratava muito bem os missionários. Enfim, essa aula despertou-me o interesse pela Igreja. Conversávamos em inglês sobre tudo, especialmente o trabalho missionário. No término da aula, convidei os missionários para virem aqui em casa, outro dia, comer um bolo de chocolate.

Na primeira visita, eles convidaram minha mãe para se sentar conosco na sala. Estranhei muito aquilo! Pensei: "O que dois jovens têm para conversar com uma senhora da idade da minha mãe?" Esse era o tipo de pensamento (ridículo, por sinal) que eu tinha na época. Achei que eles viriam só pelo bolo e pela amizade, mas vieram preparados para nos ensinar. Estranhei quando pediram pra fazer uma oração... eu nem sabia o que estava acontecendo! Sem que eu percebesse, deram-me a primeira palestra. Presentearam-me com um livo, O Livro de Mórmon, e marcaram trechos para que  lêssemos e orássemos a Deus perguntando se aquilo era verdade.

Li o que eles marcaram e orei. Um ou dois dias depois, minha tia Fabi veio aqui em casa e mostrei o livro a ela. Ela perguntou do que se tratava. Comecei a explicar-lhe as poucas coisas que havia aprendido. Quando comecei a falar,  aconteceu algo estranho. Eu falava com muita propriedade, como já soubesse que aquilo fosse verdade. Então, comecei a chorar. Ela não entendeu nada e eu percebi que minha oração tinha sido respondida.

Eu não via a hora de contar o ocorrido para os missionários. Eles ficaram felizes porque eu havia feito o que eles pediram. Quando os missionários desafiam os pesquisadores (pessoas que estão conhecendo a igreja) a orar, muitos se recusam, outros ignoram, outros, ainda, têm preguiça ou oram sem o desejo de ter uma resposta. Minha oração foi simples e sincera. E respondida sem grandes alardes, mas de forma tocante.

Na segunda palestra, quando ensinaram sobre o batismo de Jesus, eu perguntei aos missionários o que eu precisava fazer para ser batizada na Igreja. Eles sorriram e disseram: "vamos ver o que podemos fazer por você!"

Os ensinamentos que os missionários me passaram fizeram todo o sentido para mim. Senti como se eu já soubesse daquilo. Ou como se estivesse me lembrando de algo que havia aprendido antes, mas que estava adormecido. Inclusive sobre o batismo pelos mortos. Essa foi a minha doutrina preferida. Fiquei feliz por saber que o Senhor daria oportunidade à toda humanidade, independente da época que nascesse ou o lugar em que vivesse, de arrepender-se, ser batizado e receber as ordenanças salvadoras. A partir daí comecei a entender sobre a misericórdia de Cristo.

Em 16 de junho fui batizada no pequeno ramo da minha cidade, que tinha uma frequência em torno de 25 pessoas, e recebi o dom do Espírito Santo. Por causa da minha imaturidade espiritual, apesar do bom sentimento que nutria pela Igreja e sua doutrina, eu cometi alguns erros. Eu saía aos sábado à noite para dançar com as amigas e voltava na madrugada, violando, assim, o Dia do Senhor. Passou pouco tempo e eu já estava adaptada à nova vida. Na segunda semana, após o batismo, fui chamada para ser professora na classe Princípios do Evangelho. Aquele chamado foi essencial na minha conversão. Com o tempo eu já não me sentia mais atraída pelas coisas que outrora achava divertidas ou atraentes.

1997 foi um ano difícil como membro. Era meu último ano na faculdade. Eliminei 12 cadeiras, entre elas, o Trabalho de Conclusão e  Estágio. Eu achei que não tinha muito tempo para o Senhor. Pedi desobrigação dos meus chamados, fui relapsa com alguns mandamentos e acabei perdendo a espiritualidade. Como consequência, deixei de receber muitas bênçãos.

Em dezembro foi a colação de grau. Esse foi o último mês dos oito anos  que trabalhei como secretária de um escritório de advocacia. Na metade do ano fiz um acordo com meu chefe de que sairia em dezembro. Saí tranquila,  pensando que, por estar formada,eu  conseguiria um bom emprego facilmente. Engano meu! Os empregos que surgiam ofereciam um salário muito baixo, cerca da metade do que eu ganhava. Eu ficava, então, esperando que surgisse algo melhor.

Fiquei quatro intermináveis meses naquela penúria. Ainda estava pagando despesas da faculdade. Minha mãe foi maravilhosa. Pagou grande parte das minhas dívidas durante esse tempo. Até que passei numa seleção para trabalhar em Novo Hamburgo. Pouco tempo depois fui transferida para Porto Alegre. E aí é que as coisas começaram a engrenar de verdade!

Da metade de 1998 em diante, houve um crescimento significativo na minha espiritualidade. Fui morar em Porto Alegre e comecei a frequentar as aulas do Instituto. Li bibliografias da igreja como Jesus o Cristo, O Milagre do Perdão e A Grande Apostasia. A partir daí fui tendo acesso a outros livros. Tomei ainda mais gosto pela leitura. Fortaleci meu testemunho, aumentei meu conhecimento e aprendi o que era de fato a grandiosidade da Igreja de Jesus Cristo. Não era aquela igreja pequenina como era no ramo onde fui batizada.

Com minha mudança para Porto Alegre, a visão que eu tinha sobre Igreja – em termos de tamanho, organização e abrangência – mudou. Havia atividades e programas de diversos tipos, que ocorriam regularmente, como mutuais, bailes, serões, gincanas, seminário, instituto, escotismo; e semestrais, como acampamentos e conferências. Pude conhecer o trabalho que a Igreja faz junto aos necessitados ou vítimas de catástrofes, como o Armazém do Bispo, Auxílio HumanitárioMãos que Ajudam, SRE (Serviço de Recurso de Emprego), etc., Pouco a pouco eu ia descobrindo a grandiosidade desta obra. Pude entender o sonho profético do rei Nabucodonossor, interpretado pelo profeta Daniel, onde uma pedra cortada sem ajuda das mãos, derruba a estátua (reinos deste mundo) e se transforma em uma grande montanha e enche a terra. Esta é a Igreja de Cristo, da qual faço parte. Ela é a pedra vista naquele sonho! Foi cortada sem auxílio de mãos humanas, porque que não foi criada por mãos humanas. Foi restaurada em sua plenitude, com poder e autoridade divina, para encher a Terra nesta época, que é a última dispensação do Evangelho.

Vivemos nos últimos dias desta terra, digo, da forma em que ela se encontra agora: cheia de corrupção, maldade, guerras, cobiça e iniquidades de todos os tipos. Cristo retornará em breve e assumirá o comando, sendo o rei da humanidade. Ele reinará por mil anos.  Não tem como negar que o fim se aproxima. É só olhar em volta e lermos as escrituras. Reconheceremos facilmente as profecias se cumprindo.

Há pessoas que pensam que crer nisso é coisa para pessoas mais velhas,  fanáticas, ou pouco instruídas  Afirmo-lhes que isso é um grande equívoco! A juventude SUD, em sua maioria, busca o máximo de instrução secular que pode obter. Garanto-lhes que quanto mais instrução secular recebemos, melhor fica nossa compreensão das coisas eternas. Sabem por quê? Porque a ciência e a religião pura devem andar de mãos dadas. Nosso Pai Celestial domina todas as ciências. Ele não é um mágico! Ele exerce Seu poder e autoridade sobre os elementos, que O ouvem e obedecem ao comando da Sua voz. É assim que a Terra foi formada, é assim que os milagres foram e são realizados. Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Os acadêmicos ateus precisam saber que a religião pura ensina isso! Quando souberem, não exitarão em abandonar o ateísmo.

17 comentários:

  1. Parabéns menina,você escreve muito bem e vibro em saber que encontrou algo de importante para acreditar nessa vida.Beijos e muita sorte!!!Tana

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  2. Obrigada Tana! É muito bom saber que não estamos nessa terra a passeio! Beijos!

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  3. Amiga, vc é um ser muito especial, tenho orgulho de ser tua amiga! Estou adorando seu blog! Beijos

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  4. Brigadinha, Grazi! Tu sabes que és muito especial pra mim também! Beijos.

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  5. Oi`Erika, que delícia ler suas palavras, sempre tive muita admiração por ti, hj ela aumentou, parabéns e muitas bençãos em sua vida e de seus pequenos. Beijoss. Anamarcia

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  6. Obrigada, Ana Márcia! Tenho muita admiração por ti também! Pela demostração de coragem e amor incondicional ao adotar cinco anjos ao mesmo tempo! E Deus mandou-te mais uma... Sejam todos muito felizes! Bjs.

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  7. Parabéns pelo blog! gostei muito de lê-lo.Achei interessante sua história de conversão,pois é extremamente parecida com a minha.Conheci a Igreja esperando ter aulas de Inglês também, estou esperando as aulas até hoje...rsrs, tive sentimentos muito parecidos tbm.. Siga firme. sucesso para vc e sua família.

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  8. Obrigada, Walter! Sabe como é curso gratuito! ;) Um abraço, irmão!

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  9. Parabéns, Irmã Erika. Fez prima reflexão.

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  10. Obrigada por ter lido e por ter deixado teu comentário, Adair!

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  11. Obrigada por ter lido e por ter deixado teu comentário, Adair!

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  12. Irmã Érika, posso compartilhar este teu lindo testemunho?

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    1. Fique à vontade, irmão Cezar! :-) Um abraço!

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  13. Eu sou cristão também, e fico feliz de independente das doutrinas criadas hoje em dia; Cristo possa libertar e trazer o Reino a pessoas como eu e você.
    Grande abraço em Cristo Jesus do seu irmão Rafael.

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    1. Que Ele venha sem demora! :-) Obrigada por deixar teu comentário, Rafael! Um abraço!

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  14. Oi Érica, gostei muito dos seus artigos e quando vi que era SUD me despertou mais ainda a le-los, sou também SUD, mas estou afastada desde que me separei e encontro dificuldades em retornar, pois tenho um imenso desânimo interior, amo as irmãs da igreja, os ensinamentos, mas sinto-me sozinha. Obrigada pelas palavras sobre sua conversão, estou refletindo sobre tudo. Beijos

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    1. Entendo como podemos ficar desanimadas em momentos como este, Luciana, mas não perca a oportunidade de ser ajudada e consolada na Igreja. Tu sabes como nossa irmandade é maravilhosa e pode nos fortalecer. Volte logo, irmã querida!! Se quiser me adicionar no Facebook, este é meu perfil: https://www.facebook.com/erikastrassburger Beijos!!

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